Atitude do juiz Raphael Claus divide opiniões no "Bem, Amigos".
Leonardo defende: "O árbitro tem o direito de escrever no dia seguinte"
A trombada do corintiano Petros no árbitro Raphael Claus durante o clássico contra o Santos será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Vários fatores serão levados em consideração, inclusive o adendo feito à súmula pelo juiz apenas na segunda-feira. Depois de revelar a atitude de Raphael Claus, o comentarista de arbitragem Arnaldo Cézar Coelho disse ver o adendo como um precedente perigoso (assista ao vídeo).
- O absurdo é que ele não escreveu nada na súmula. O árbitro reserva estava de frente para o lance e não deu retorno no rádio que foi uma agressão. O bandeirinha também não falou nada. Ninguém viu nada. O jogador vai ser julgado. Não precisa ele fazer alguma coisa. Será que o árbitro que não viu a mordida do Suarez na Copa do Mundo escreveu para a Fifa? Se o tribunal vai enquadrar o jogador, para que ele foi se meter? Na mesma declaração ele diz que os colegas não viram nada demais. Ele passa por cima dos colegas dele. Abre um precedente perigoso. Amanhã vão querer que os árbitros escrevam a súmula mediante a televisão. O árbitro é obrigado a escrever a súmula imediatamente após o jogo, não pode levar para casa, se não muda completamente - disse Arnaldo, durante o programa “Bem,
- Senti uma trombada do número 40, Petros, do Corinthians, nas minhas costas. Nesse momento eu e toda equipe de arbitragem interpretamos o lance como um choque natural. Entretanto esta minha opinião foi alterada após ver a partida no dia seguinte, pela TV, como faço de costume - escreveu Claus, segundo Arnaldo Cézar Coelho.
Para o comentarista, o adendo pode causar complicações no futuro.
- O juiz estava mal colocado e levou uma trombada. Quantas trombadas a gente não leva na vida? Alguém chegou para ele e falou: “Coloca um adendo na súmula”. Para que ele escreve isso? É para atender ao procurador? Ao advogado de defesa? Se amanhã ele apitar um jogo e não der um pênalti, ele vai ter de corrigir depois - completou Arnaldo.
A atitude de Raphael Claus dividiu opiniões no “Bem, Amigos”, uma vez que o árbitro faz parte do processo que irá ao Tribunal.
- O adendo é para atender à verdade. Que pecado ele faz em corrigir o que fez errado? Questão disciplinar é diferente de questão técnica - rebateu o comentarista Marco Antônio Rodrigues.
O narrador Cléber Machado também comentou o assunto e concordou com a posição de Arnaldo Cézar Coelho.
- Deveria então ser uma praxe. Amanhã, na hora que der um cartão vermelho a um jogador e ele não merecia, o juiz teria de escrever: “Vendo pela televisão no dia seguinte, acho que exagerei e não deveria ter dado o cartão vermelho”. Isso também é disciplinar. O juiz às vezes erra, dá muita conversa.
O comentarista Caio Ribeiro, por outro lado, pediu que a discussão se concentrasse no ato de Petros e não nos procedimentos em torno do julgamento.
- Estamos vendo qual a burocracia correta ou ele falar a verdade? Não é mais importante falar a verdade? O Petros está indo em uma linha de corrida e desvia, não é por causa do toque do Alisson, é porque ele perdeu a cabeça. Ele vai lá, agride o juiz, e volta para a linha dele. O que acho absurdo é colocar ele em um artigo que pega seis meses de suspensão. Não é para isso. Agora, três ou quatro jogos ele tem de ser punido, porque a ação que ele teve cabe uma punição.
Convidado do programa, o ex-jogador Leonardo defendeu Raphael Claus.
- Acho que qualquer julgamento precisa de todos os dados de todos os atores daquela situação. O árbitro tem o direito de escrever no dia seguinte. Ele pode escrever. Ele agregar a sua opinião é um dado a mais para ser julgado. Acho que procede.
Independentemente do adendo à súmula, todos no programa concordaram que a atitude de Petros tem de ser julgada e punida. Até mesmo o técnico do Corinthians, Mano Menezes, admitiu o erro de seu comandado, mas pediu para que não houvesse julgamentos antecipados.
- Ele cometeu um erro. Não podemos contrariar a imagem. Agora, o que não gosto é de crucificar e conceituar: “Ele foi covarde”. Vamos com calma. Não podemos premeditar usando termos que são levados em consideração. Tem de relatar os atos.
O procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, anunciou que o jogador será denunciado no artigo 254-A, por "agressão física ao árbitro", e corre o risco de receber uma suspensão mínima de 180 dias. Arnaldo Cézar Coelho, porém, não acredita que o Tribunal enquadrará o jogador nesse artigo.
- Ele foi imprudente, evidentemente vai ser punido. Agora, no meu ponto de vista, não vai ser punido por agressão - disse o comentarista de arbitragem.
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